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domingo, 26 de junho de 2011

Vovó Maria
Capítulo 4 do Livro Causos de Umbanda - Volume 2 - Outras Histórias de Vovó Benta - Ed. Conhecimento


“A ingratidão é um dos frutos mais imediatos do egoísmo; revolta sempre os corações honestos.”

Vovó Maria fumegava seu pito e batia seu pé ao som da curimba enquanto observava o terreiro, onde os cambonos movimentavam-se atendendo aos pretos velhos e aos consulentes.
Mandingueira, acostumada a enfrentar de tudo um pouco nos trabalhos de magia, sabia perfeitamente como o mal agia tentando disseminar o esforço do bem.
Sob variadas formas, as trevas vagavam por ali também.
Alguns em busca de socorro; outros, mal-intencionados, debochavam dos trabalhadores da luz. Muitos chegavam grudados no corpo das pessoas, qual parasitas sugando sua vitalidade.
Outros, por sobre seus ombros, arqueando e causando dores nos hospedeiros, ou amarrados nos tornozelos, arrastavam-se com gemidos de dor. Fora os tantos que eram barrados pela guarda do local, ainda na porta do terreiro e que, lá de fora, esbravejavam palavrões.
Da mesma forma, o movimento dos exus e outros falangeiros se fazia intenso no lado astral do ambiente, para que, dentro do merecimento de cada espírito, pudessem ser encaminhados.
Uma senhora com ares de madame se aproximou da preta velha para receber atendimento. Vinha arrastando uma perna que mantinha enfaixada.
– Saravá, filha – falou Vovó Maria, enquanto desinfetava o campo magnético da mulher com um galho verde, além de soprar a fumaça do palheiro em direção ao seu abdome, o que fez com que a mulher demonstrasse nojo em sua fisionomia.
Fingindo ignorar, a preta velha, cantarolando, continuou a sua limpeza. Riscando um ponto com sua pemba no chão do terreiro, pediu que a mulher colocasse sobre ele a perna ferida.
“Será que não vai pedir o que tenho?”, pensou a mulher, já arrependida por estar ali naquele lugar desagradável. “Vou sair daqui impregnada por estes cheiros!”
Vovó Maria sorriu, pois captara o pensamento da mulher, mas preferiu ignorar tudo isso. O que a mulher não sabia era a gravidade real do seu caso, ou seja, aquilo que não aparecia no físico. Se ela pudesse ver o que estava causando a dor e o inchaço na perna, aí sim, certamente ficaria muito enojada. Na contraparte energética, abundavam larvas que se abasteciam da vitalidade do que já era uma enorme ferida e que breve irromperia também no físico.
Além disso, uma entidade espiritual, em quase total deformação, mantinha-se algemada à sua perna, nutrindo, assim, essas larvas astrais. Para qualquer neófito, aquilo mais parecia um cadáver retirado da tumba mortal, inclusive pelo mau cheiro que exalava.
Com a destreza de um mago, a preta velha sabia como desvincular e transmutar toda essa parafernália de energias densas, libertando e socorrendo a entidade escravizada a ela.
Feitos os devidos “curativos” no corpo energético da mulher, Vovó Maria, que à visão dos encarnados não fez mais que um benzimento com ervas e algumas baforadas de palheiro, dirigiu-se agora com voz firme à consulente:
– Preta Velha até aqui ouviu calada o que a filha pensou a respeito do seu trabalho. Agora preciso abrir minhas tramelas e puxar sua orelha.
Ouvindo isso, a mulher afastou-se um pouco da entidade, assustada com a possibilidade de que ela viesse mesmo a lhe puxar a orelha.
“Escutou o que pensei? Ah, essa é boa. Ela está blefando comigo.”, pensou novamente a mulher.
– Se a madame não acredita em nosso trabalho, por que veio aqui buscar ajuda? Filha, não estamos aqui enganando ninguém. Procuramos fazer o que é possível, dentro do merecimento de cada um.
– É que me recomendaram vir me benzer, mas eu não gosto muito dessas coisas...
– ...e só veio porque está desesperada de dor e a medicina não lhe deu alento, não foi filha? – complementou a preta velha.
– Os médicos querem drenar a perna e eu fiquei com medo, pois nos exames não aparece nada, mas a dor estava insuportável.
– Estava? Por quê, a dor já acalmou?
– É, agora acalmou, parece que minha perna está amortecida.
– E está mesmo, eu fiz um curativo.
A mulher, olhando a perna e não vendo curativo nenhum, já estava pronta para emitir um pensamento de desconfiança quando a preta velha interferiu:
– Vá para sua casa, filha, e amanhã bem cedo colha uma rosa do seu jardim, ainda com orvalho, e lave a sua perna com ela, na água corrente. Ao meio-dia o inchaço vai sumir e sua perna estará curada.
Não ousando mais desconfiar, ela agradeceu e já estava saindo quando a preta velha a chamou e disse:
– Não se esqueça de pagar a promessa que fez pra Sinhá Maria, antes dela morrer...
Arregalando os olhos, a mulher quase enfartou e tratou de sair daquele lugar imediatamente.
O cambono, que a tudo assistia calado, não agüentando a curiosidade perguntou que promessa foi essa.
– Meu menino, o que nós escondemos dos homens fica gravado no mundo dos espíritos. Essa filha, herdeira de um carma bastante pesado por ter sido dona de escravos em vida passada e, principalmente, por tê-los ferido a ferro e fogo, imprimindo sua marca na panturrilha dos negros, recebeu nesta encarnação, como sua fiel cozinheira, uma negra chamada Sinhá Maria.
Esse espírito mantinha laços de carinho profundo pela madame desde o tempo da escravidão, quando foi sua “Bá” e, por isso, única poupada de suas maldades. Nessa encarnação, juntaram-se novamente no intuito de que a bondosa negra pudesse despertar na mulher um pouco de humildade, para que esta tivesse a oportunidade de ressarcir os débitos, diante da necessidade que surgiria de auxiliar alguém envolvido na trama cármica.
Sinhá Maria, acometida de deficiência respiratória, antes de desencarnar solicitou à sua patroa que, na sua falta, assistisse seu esposo, que era paraplégico, faltando-lhe as duas pernas.
Deixou para isso todas as suas economias de anos a fio de trabalho e só lhe pediu que mantivesse com isso a alimentação e os medicamentos. Mas na primeira vez que ela foi até a favela onde morava o homem, desistiu da ajuda, pois aquele não era o seu “palco”. Tratou logo de ajustar uma vizinha do barraco, dando-lhe todo o dinheiro que Sinhá havia deixado, com a promessa de cuidar do pobre homem. Não é preciso dizer que rumo tomaram as economias da pobre negra; em pouco tempo, para evitar que ele morresse à míngua, a Assistência Social o internou em asilo público. Lá ele aguarda sua amada para buscá-lo, tirando-o do sofrimento do corpo físico. Nenhuma visita, nenhum cuidado especial. A madame se havia “esquecido” da promessa. Eu só fiz lembrá-la para que não tenha que voltar aqui com as duas pernas inválidas. A Lei só nos cobra o que é de direito, mas ela é infalível. Quanto mais atrasamos o pagamento de nossas dívidas, maiores elas ficam. Por isso, camboninho, negra velha sempre diz para os filhos que a caridade é moeda valiosa que todos possuímos, mas que poucos de nós usam. Se não acordamos sozinhos, na hora exata a vida liga o “desperta-dor” e, às vezes, acordamos assustados com a barulheira que ele faz... eh, eh, eh... Entendeu, meu menino?
– Sim, minha mãe. Lembrei que tenho de visitar meu avô que está no asilo...
Sorrindo e balançando a cabeça a bondosa preta velha falou com seus botões:
– Nega véia matô dois coelhos com uma cajadada só... eh, eh...
Depende de quem a sente

Cigana Esmeralda

O que é Umbanda?
É força, é garra
É luta, é constância
É união, é fé
É amor, é alegria
É calor, é razão
É luz, é energia
É lógica, é paixão.
É saber e entender que nunca se sabe nada.
É viver como um eterno aprendiz.
É entender que viver a Umbanda não é estar na Umbanda.
É sonhar sem se deixar perder em sonhos.
É doar sem querer receber.
É olhar e enxergar além do que pode ser visto.
É lutar sem mesmo saber qual é a batalha.
É amar incondicionalmente.
É fazer brilhar sem ser uma estrela.
É sentir sem precisar ser tocado.
É reconhecer que errou e saber pedir desculpas.
A Umbanda é simples, mais é preciso viver cada dia dentro dela como se fosse o primeiro.

A Umbanda é luz! Xeuê Babá!
É transparente como a água do mar! Odoiá!
É firme como a rocha! Kaô!
É constante como o rio! Ora ie ieu!
É livre como o vento! Eparrei!
É farta como a mata! Oke Bamba!
É energia, é troca de calor! Ogunhê!
É eterna como a terra! Atotô!

Assim é a Umbanda de quem não a rotula e a tem na alma, mas lembrem-se, para alguns pode não ser tão simples assim, depende de quem a pratica e de quem a sente em sua alma.
Para alguns a Umbanda pode ser sua maior inimiga.

Cigana Esmeralda um perfume de flor
Viver a Umbanda não é limita-la a tal ou qual escola porque nenhuma Delas é dona da Umbanda.
Umbanda: “manifestação do Espírito para a caridade!”
A de ser reconhecer que quando os filhos dessa Banda lhe nomeiam,direcionam a uma minoria como sendo os eleitos para assimilação da verdade ou a limitam, estão forçosamente fazendo um caminho inverso do que seja o exercício da caridade.
A Umbanda é grandiosa! Tão grandiosa que esconde sua verdadeira face nas formas fluídicas escolhida pelos seus trabalhadores espirituais que se apresentam nos terreiros como Caboclos, Pais Velhos, Ibeijadas e Exus.
A Umbanda é ampla por agregar em si espíritos de todas as nacionalidades que se amoldam perfeitamente ao seu triângulo de sustentação.
A Umbanda é rica! Não por alguns templos suntuosos que a projetam, mas, sim, pela simplicidade que fala aos corações sofridos!
A Umbanda é humildade pela palavra consoladora e de fácil entendimento para os que a ouvem com a ausculta astral!
A Umbanda é caridade pela extensão dessa palavra que caminha ladeada ao amor!
A Umbanda é energia em pleno movimento! Em plena extensão!
Expandam vossas mentes!
Calem vossas intolerâncias, as vossas indiferenças!
Sensibilizem vossos corações! Pois, só assim valerá a pena estar na Umbanda. Ser umbandista! Até porque fora disso não resultará em nada os filhos terem visto a Luz de Oxalá e permanecerem cegos.
Umbanda é trabalho!
Então meus filhos! Trabalhem pelo vosso próximo! Trabalhem por vocês! Trabalhem pelo hoje preparando o futuro de muitas gerações.
Lembrem-se! Vocês são instrumentos de uma Causa muito Maior a qual não vê fronteira e nem rótulos, mas, sim, a disposição que cada qual tem de servir a Lei de Aruanda.
Os modismos passam e sempre passarão! Mas, a Umbanda permanecerá em toda sua plenitude, o que será visto pelos que tem olhos de ver e ouvidos para ouvir.
Patacori Ogum!
Ogum nhê

terça-feira, 7 de junho de 2011

Quando Deus dá, Ele é generoso, mas quando tira, é implacável. A nós resta a fé em Sua bondade e o amor à justiça divina que a tudo corrige no seu devido tempo.

domingo, 5 de junho de 2011

Dias da Semana e Saudações aos Orixás UMBANDA
Dias e Saudações aos Orixás…
DIAS DOS ORIXÁS:
SEGUNDA – FEIRA * Exu, Pomba Gira, Obaliuaie, Omulu, Pretos Velhos (Iorumá) e almas aflitas
TERÇA – FEIRA * Ogum, Boiadeiros e Baianos
QUARTA – FEIRA * Xangô e Iansâ
QUINTA – FEIRA * Oxossi, Caboclos e Caboclas
SEXTA – FEIRA * Oxalá, Almas Santas e Linha da Oriente liderada por São João Batista
SÁBADO * Iemanjá, Oxum, Nanã Buruke, Ondinas, Sereias, Caboclas, Iaras e Marinheiros
DOMINGO * Iori (Cosme e Damião), Crianças e Ibejadas
SAUDAÇÕES
Saravá Oxalá * Oxalá Meu Pai
Saravá Ogum * Ogum Iê Meu Pai
Saravá Xangô * Caô Cabecilê
Saravá Obaluaie * Atotô Obaluaiê
Saravá Oxossi * Okê Caboclo
Saravá Iemanjá * Odoceyá
Saravá Oxum * Aêê Mamãe Oxum
Saravá Iansã * Uepa hey Iansã
Saravá Nanã Buruke Saluba Nanã
Saravá Cabloco * Okê Cabloco
Saravá aos P.Velhos * Adorei as Almas
Saravá as Crianças * Beijada
Saravá Exu * Aruê Exú
Saravá Pomba Gira Aruê Exu Pomba Gira
VIVER É UMA AVENTURA

Viver é uma aventura. Estar na Terra, uma oportunidade de progresso e aprendizagem. É esquecer tudo. Apagar a lembrança do passado e permitir usufruir de novas experiências.
A reencarnação nos permite reencontrar e, às vezes , conviver com pessoas com as quais privamos em vidas passadas, em outros corpos, em situações diferentes, que nos possibilitam vê-las sob outros enfoques.
Inimigos ou amigos, odiados ou amados, a vida nos une no palco do mundo para uma reavaliação de atitudes, uma nova visão dos fatos, uma reciclagem dos sentimentos, pretendendo acordar e amadurecer nossos almas, forçando-nos a enxergar uma cota maior da realidade.
A conquista da felicidade esta em nossos mãos, Deus nos criou para sermos felizes e a vida procura nos mostrar esta verdade.
Iludidos pelo esquecimento temporário, desviamo-nos, escolhendo mal as oportunidades, e recolhemos infelicidade e dor. O cenário do mundo retrata esse desacerto na inversão dos valores, que a muitos aparecem como sendo verdade absoluta.
É hora de acordar. É hora de perceber. Na ciranda das reencarnações, demoramo-nos durante largo tempo. É imperioso mudar. A Nova Era já se aproxima e não há tempo a perder. O mundo está maduro. Novos tempos, novas conquistas, maiores conhecimentos.
Nós somos os donos do mundo! Ao toque dos nossos pensamentos renovados, tudo se transformará! Encarando nossa herança divina de felicidade, prosperidade e amor, abriremos as portas à espiritualidade de maior, baniremos o sofrimento da Terra.
O mundo é da forma como nós o construímos! Quando mudarmos nossa maneira de pensar, ele mudará.


Lúcius
Uma Pedra no Caminho

Conta-se que há muitos anos, um rei colocou uma pedra bem grande no meio
de uma estrada e escondeu-se para ver se alguém tentaria removê-la.
Ricos mercadores e cortesãos passaram pela estrada e simplesmente contornaram a pedra.
Muitos reclamaram, culpando o rei pela má conservação da estrada, mas nenhum fez qualquer tentativa para tirar a pedra.
Então veio um camponês com um balaio de verduras. Chegando onde estava a pedra, o camponês pôs o balaio no chão e tentou remover a pedra para a margem da estrada.
Depois de muito esforço conseguiu. Quando foi pegar as verduras o camponês viu uma bolsinha no chão, no lugar de onde tinha removido a pedra.
A bolsa continha muitas moedas de ouro e uma mensagem do rei, dizendo que as moedas pertenciam a quem tivesse removido a pedra do caminho.
O camponês aprendeu então o que muitos jamais entenderam: em cada obstáculo surge uma oportunidade para melhorarmos
Por isso... Quando tiver algum problema, faça alguma coisa!
Se não puder passar por cima, passe por baixo, passe através, dê a volta, vá pela direita, vá pela esquerda.
Se não puder obter o material certo, vá procurá-lo.
Se não puder encontrá-lo, substitua-o.
Se não puder substituí-lo, improvise.
Se não puder improvisar, inove.
Mas acima de tudo, faça alguma coisa!!
Há dois gêneros de pessoas que nunca chegam a lugar nenhum: as que não querem fazer nada e as que só inventam desculpas.